A Distância da família, distância dos amigos. A internet é uma benção. O Skype e o FaceTime ajudam. Mas uma boa conversa, cara a cara, um bom abraço e um beijo, um papo gostoso em uma mesa de bar, um olhar, não podem (ainda) ser substituídos. E fazem falta. Como fazem. E não é uma visita de tempos em tempos que consegue suprir a falta do contato humano com aqueles que nos são caros. Quando dá aquela vontade de abraçar seu pai, sua mãe, um amigo querido, e saber que isso não está ao seu alcance, dá um grande aperto no peito. Quando moramos fora, temos que saber esperar. Esperar seis meses, um ano ou mais. E aprender também que o próximo encontro pode acontecer tarde demais.O IDIOMA Passar a maior parte do tempo tendo que se expressar em uma língua que não é a sua língua materna é extenuante. Se você fala algum outro idioma, experimente um dia se comunicar apenas nessa outra língua. Agora multiplique isso por 15 anos. Você vai dizer que a gente se acostuma. Sim, é verdade, a gente se acostuma a tudo nessa vida. Mas cansa. Por mais fluente que você seja, o seu vocabulário em outra língua nunca será tão rico. Muitas vezes você percebe que o seu cérebro está fazendo um esforço incrível tentando achar palavras para expressar aquilo que, em português, já está na ponta da língua. Obviamente isso varia de pessoa para pessoa, depende do tempo que você está fora e de outros fatores. Mas é um inconveniente considerável – e insuperável. Ainda mais em um lugar onde você precisa se expressar em uma língua que não são a sua. A CULTURA Não existe sensação mais constrangedora do que entender o que as pessoas estão dizendo, entender as palavras sendo ditas, mas não compreender as referências, as intenções por trás, as sutilezas de interpretação, porque elas não fazem parte da sua cultura. São coisas que o estrangeiro, por mais conhecedor que seja do ambiente nunca vive, nunca vai entender completamente. Nenhum estrangeiro consegue entender ou visualizar as referências culturais da mesma maneira que os locais. E isso faz falta quando você deseja virar um local. Você simplesmente não tem um passado ali. Você estudou, aprendeu – mas não criou laços naturais nem memórias afetivas nascidas organicamente. Para esse lugar onde você mora, será sempre como se você tivesse nascido com 20, 30 ou 40 anos – uma pessoa com bagagem cultural e referências emocionais muito menores do que quem cresceu ali. No início, isso parece bobagem. Depois a bobagem começa a machucar, principalmente quando você se dá conta de que isso não é coisa que se aprende. Isso é coisa que se vive, que se sente, que se tem ou nao se tem. Ponto.Cada caso é diferente e cada pessoa tem a sua história. Conheço pessoas que não vão voltar nunca. Mas também conheço muitas que guardam escondido bem no fundo do peito uma vontade doida de voltar. Vou sentir falta de muitas coisas daqui, com certeza. Coisas incríveis que o a Italia me proporcionou e que me fizeram feliz durante esses anos todos. Mas a vida é feita de escolhas e de momentos. Chegou a minha hora de reviver as imperfeições do Brasil, perto da família, dos amigos, falando português, voltando a sentir calor e a brisa do mar bater no rosto.

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